Tomate: de vilão a estrela das redes sociais!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013


O tomate é a celebridade do momento. Em Goiás, principal produtor do país, o preço do fruto disparou nada menos do que 150% nesses primeiros dias de abril. Lá, o tomate chega a custar R$ 9,00 o quilo. Nos últimos 12 meses, a alta do preço do tomate chega a 90% em todo país.
Mesmo que você não acompanhe de perto os assuntos da economia, ou passe longe da feira, se você frequenta alguma rede social já está sabendo que o tomate virou um “hit”. As charges transformam o fruto vermelho em símbolo de riqueza e até de interesse dos assaltantes. “Passe o saco de tomate”, diz o ladrão. “Mas você não quer a carteira e o relógio?”, responde a vítima.
Uma cantina tradicional da capital paulista retirou o tomate do cardápio, em protesto à alta recorde no preço. É difícil imaginar a cozinha italiana preparando pratos sem a iguaria.
Brincadeiras e protestos de lado, a alta do tomate é um exemplo típico do chamado choque de oferta na economia. Quando falta um produto por um motivo imprevisto, o preço pode sofrer uma alta abrupta e afetar a inflação com mais intensidade. Foi o que aconteceu com o preço dos grãos no ano passado, por causa da seca nas plantações nos Estados Unidos.
No caso do tomate, não foi exatamente de um susto que o preço subiu. A área plantada no país vem caindo muito nos últimos três anos, principalmente em Goiás, de onde sai a maior quantidade do produto. De acordo com a Federação de Agricultura do estado (Faeg), enquanto no resto do país, a área plantada caiu cerca de 16% desde 2010, no território goiano a queda ultrapassa 41%.
O único fator surpresa que pode ser aplicado no caso do tomate é o excesso de chuvas na região central do país, que acabou prejudicando um pouco mais a situação. E mais, especialmente agora, a produção também passa por uma entressafra.
O tomate é componente importante da cesta básica e do dia-a-dia da alimentação dos brasileiros. Com preço nas alturas, certamente vai afetar a inflação corrente. O efeito pode ser temporário, como acontece com os choques de oferta. O problema é que a inflação já está apertada demais para acomodar “passageiros” inesperados.
Antes de incluir o tomate na lista dos estimuladores naturais de uma alta dos juros, o governo ainda tem uma carta na manga para tentar diminuir o efeito da alta no preço no índice oficial. A taxa de importação do tomate é de 10% e pode ser reduzida pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). Se for preciso importar, podemos fazê-lo comprando da China ou do Chile.
Até que se conheçam os efeitos mais permanentes dessa alta recorde, fica mais chique comer uma boa salada de tomates que um prato de trufas italianas, uma das iguarias mais caras do mundo.

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